Fui privilegiada, não somente eu, mas minha família e toda uma cidade, nas décadas de 60, 70...e talvez 80.
Ao adoecer, como passe de mágica aparecia o médico da família. De todos, o lendário e saudoso Dr. Edvaldo que me curava com o seu diagnóstico certeiro. E após alguns dias de algum remédio bem amargo e as vezes, algumas agulhadas de alguma injeção infernal, eis-me inteira. Nunca precisei varar o dia a espera de um atendimento, nem ser distratada ou maltratada. Era o que tínhamos na época da minha infância e juventude e foi a melhor coisa em termos de medicina que eu já tive contato. Até porque, a vida ao ar livre foi o palco para que poucas vezes eu tenha precisado ser socorrido por um médico. Na maioria dos achaques, um chazinho ali, um mingau sem leite, ali, e, enfim. .....
E quiçá se tudo continuasse a evoluir, sem involuir. Claro que antes a medicina era muito antiga, digamos assim, poucos recursos para diagnósticos precisos, mas pelo menos sabiam usar o estetoscópio, apalpar e identificar os orgãos e geralmente acertavam. O melhor era o carinho, o carisma, o olhar de quem estudou para ser médico. E não doutor. Este adjunto é quem mata.. Infla o ego e atualmente, quanto mais especialistas, mais distantes...de tudo. Do paciente e da cura.
Eu posto aqui a minha eterna Gratidão, aos médicos que foram me atender em minha casa,na cidade de Nazaré. Mais do que honorários (e eles recebiam, claro), mais do que isso, o carinho, a dedicação, o saber e energia de quem escolheu a Medicina como sacerdócio, bem antes de ser profissão.
E então, estamos diante dos tempos modernos. Tudo virou uma bagunça. Especialmente no serviço público de saúde. Infelizmente. Neste ambiente é que as notícias macabras dos "dotores bundões", uma classe de médicos e enfermeiros incompetentes, sem empatia, indolentes, preguiçosos, incapazes, malvados, e etc e tal, vem fomentando e promovendo cenários tétricos no quesito vida x morte. O que o noticiário vem propagando é de arrepiar.
Eu quis ser médica. Todo o tempo eu quis. Fui Técnica de Enfermagem e quis ser médica. Tenho certeza que seria uma excelente médica. Talvez nem tanto pela competência exata em diagnosticar e curar. Mas, com certeza, eu seria uma médica de família. Fazer a empatia é uma das minhas características positivas. E ter muita compaixão talvez seja a melhor característica do meu temperamento. Não deu. Mas sempre irei me indignar com esta gente que de medicina, só quer o jaleco branco, a fama, o dinheiro e o ego inflado. E disso vão se enchendo sepulturas.
Fotos tiradas internet.























