terça-feira, 25 de julho de 2017

REFLEXÕES

REFLEXÕES INVERNAIS.

Acabou de passar um enterro aqui. No vilarejo. Ou um féretro para ser mais elegante. Um senhor, longevo, nascido e criado aqui no vilarejo, acabou de ascender aos Céus. Prefiro assim. E, como todos os enterros que passam pela minha rua, e estando aqui, paramos tudo, desligamos rádio, tv e, solenemente, ficamos a observar o cortejo. O carro funerário, o outro de som com músicas de elevação espiritual, algumas tristes, outras nem tanto e....a procissão de gente. Eis um momento que move todo o vilarejo. Afinal um lugar pequeno onde, praticamente, todos são parentes.
E em especial o desse senhor, eu "escrutinei", como diria minha amada Dona Márcia, nos semblantes dos passantes, uma aura de solidariedade, respeito e reverência. Afinal esse senhor gozava de ótima reputação, sendo pai de uma professora e diante do evento do desenlace, até as aulas foram suspensas. E fiquei a pensar: como é bom ascender (morrer), em um lugar assim. Sério. Parece que a caminhada abaixo (o corpo) e para cima ( o espírito), se faz mais acolhedora. Familiares são amparados, o velório sai da casa do dono do corpo, ou seja, o morto. As famílias choram e gritam à vontade, sem a menor cerimônia, sendo amparadas e consoladas por todos pois a partir daí todos se acham no direito de dizer qualquer palavra ou um simples abraço. As mais espirituosas partem para a cozinha e servem cafés, chás, água com açúcar. A maioria reza e canta em voz alta para o espírito se sentir mais tranquilo neste caminho de nós todos.
Enfim, mentalmente desejei a LUZ para ele e o CONSOLO para os familiares que são muitos. E a tarde hoje, muito plúmbea, chuvosa, fria e...triste.
E de repente, senti saudades do sol. De repente, o vilarejo ficou triste. Ficou frio. Ficou saudoso.

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