quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O descaso e apatia



Vera Cruz De Itaparica, Bahia

"Tá tudo como dantes, no quartel de Abrantes"
Hoje, conforme eu me prometi, fui a Mar Grande. Ou melhor, fomos. Eu e marido. Fui rezar pelas vítimas. E rezei. Rezei ali, bem diante dos 200 metros que decidiram a vida e a morte. E estou impressionada.
1- As barquinhas voltaram a funcionar, sem ao menos se saber o motivo do sinistro. Incluindo aí, as barcas da mesma empresa sinistrada.
2-Ao chegar na pracinha, bem diante da igreja, uma movimentação de jovens e pessoas, rindos, brincando, conversando. Nenhum sinal de luto, salvo o letreiro gigante em acrílico escrito BEM VINDO A VERA CRUZ, onde velas apagadas, flores murchas, fotos e cartazes já se apagando, em homenagem às vítimas, parece estar querendo gritar que uma tragédia aconteceu ali. E uma tragédia anunciada.
3-Um equipamento da Defensoria Pública está a posto, mas vi pouca movimentação.
4-Vi alguns repórteres e emissoras de tv já se posicionando para cobrirem a missa do 7o. dia.
5-E para a minha supresa e decepção, as barcas indo e vindo, com passageiros, todos SEM COLETES, com as feições tranquilas, conversando, alguns rindo....MEU DEUSSSSS.....
O povo tomou mesmo Rivotril goela abaixo, pois nem em uma tragédia como essa, reagem.
Sei que eles dependem dessas barcas, pois Salvador fica em frente e a maioria trabalha na capital, mas houve uma tragédia com vidas perdidas. Ao menos, uma conclusão pericial precisa ser feita para esclarecer tudo e otimizar o transporte e salvaguadar vidas. Mas....
Outra coisa impressionante: o acidente foi a 200 metros do cais, do atracadouro. Eu não entendo porque o socorro levou duas horas para chegar ao barco. Não entendo.
Sou parte de toda essa região. Afinal vivo nesta ponte marítima desde a barriga de mainha e atualmente divido a minha morada entre Salvador e o vilarejo que fica a 40 km de Mar Grande e uso pouco as barcas, mas uso. Inclusive usei várias vezes no verão. E agora o medo. Das barcas, do ferry, do descaso e da apatia do povo.
Como pessoa,  blogueira, escritora e amante da Ilha de Itaparica, da Baía de Todos os Santos e do Recôncavo Baiano, eu não poderia me omitir. Inclusive uma conterrânea minha, da cidade de Nazaré, e uma veranista daqui do vilarejo, estavam entre as vítimas. 

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