"Você é louca e maluca" palavras que eu ouvi de pessoas sem coragem de fazer algo diferente e enfrentar desafios, me recriminando pelo ato insano. Mas, no fundo, elas estão certas.
SUBIR A TRILHA DA FUMAÇA, NÃO É PARA FRACOS E NEM MEDROSOS E NEM SÃOS DAS IDÉIAS.
SUPERAÇÃO: superar algo que nos dá medo e pânico ou que nos tirou do nosso equilíbrio. Ir lá e fazer mesmo com medo. Afinal, somos movidos a desafios. Ou não?
Desde menina, talvez tenha "puxado" ao meu pai, eu sempre gostei de natureza nua e bruta. Crua e sem véus. Gosto de sentir o vento no rosto, me roçando ou me açoitando. Gosto do sol e não tenho medo de chuvas. Amo a Natureza com toda a suas manifestações e a respeito.
E desde cedo também, ao me descobrir uma viajora, eu quis ir nesta trilha e ver de perto essa queda dágua. E CONSEGUI!!!!!!!
Sou CHAPADEIRA, como eu gosto de me chamar. Já mapeei a Chapada dentro de minha alma e lugares lindíssimos habitam dentro de mim e levarei comigo para todo o sempre. A bela Chapada tem seus cantos e seus encantos mas guarda dentro de suas entranhas, o medo. O medo de não conseguir, de cair, de adoecer, de morrer, enfim. Mas quem detem a mim, quando eu quero alguma coisa que exija muito e além de mim?
Afinal, tenho meus guias ancestrais, quem sabe um velho Apache ou um Caboclo dos bons. No meu estado mais natural, claro. No meu lado mais espiritualizado, tenho Jesus e Nossa Senhora, Anjos e Arcanjos. Mas subir esta montanha tem que se cercar deles todos e dos velhos índios, antigos conhecedores da região que chegaram antes de nós e que, certamente, plasmaram seus espíritos em lugares assim.
E eu subi. Aos trancos, tombos e barrancas. Senti o ar me faltar, senti as pernas bambearem, senti frio, calor, sede, fome. Senti medo, senti pavor, senti amor, sentir compaixão. Senti raiva, senti decepção (sim, ela me decepcionou, eu esperei mais dessa trilha) e no fim, me rastejei para a beira do precipício e consegui ver a cabeça da cachoeira. Foi o tudo que eu consegui.
Foram 8 HORAS de trilha. Muito puxado para mim, uma pessoa na maturidade, meio sedentária e.....acima do peso. A chamada gordinha.
Tudo para mim foi difícil, nesta escalada, nesta trilha. Mas não desisti embora era o que eu mais quisesse fazer.
Eu sonhei com esta trilha durante um bom tempo em minha vida. E, quando eu subi pela 3a. vez o Pai Inácio, em 2013, eu levei comigo meu MP4 com músicas de nativos americanos e dancei uma dança que eu chamei de DANÇA APACHE, em pleno Morro e a noite nos alcançou. Lembro que eu não tive medo, eu flutuava, eu desci o Pai Inácio no escuro e estava feliz. Não senti dor e nem labor. Apenas a felicidade foi a minha companheira daquele instante e eu lembro que eu surtei de saudades de tudo ali, dias depois, ao chegar em Salvador.
Mas, para minha surpresa e deceptude (como diria Odorico), eu não quis ouvir música nem de Apache, nem Olodum e nem zorra nenhuma. Eu estava zangada.
E meditei depois sobre o ocorrido e me veio uma resposta: seria briga de índios..rsrsrskkkkkk...um nativo americano x um índio caboclo nativo..kkkkk..
Bem, no final tudo deu certo e Graças a Deus, saí sã e salva, mesmo entrando em estado de pânico no final da descida.
O MELHOR DA EXPERIÊNCIA??????????????????
SEM DÚVIDA NENHUMA, a companhia de meus filhos, minha nora e do meu incrível e amoroso companheiro, meu marido, meu homem que ficou o tempo ao meu lado e claro, o Guia Uilton, meio cara de pau ao dizer o tempo todo que só falta uns minutins mas ele é muito competente, simpático e feliz.

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