REVOLTANTE: NUNCA NA HISTÓRIA DO FERRY-BOAT, TAMBÉM APELIDADO DE FERRY-BRONCA E FERRY-BOMBA, ACONTECEU ESSE FATO.
Sexta-feira, dia 9 de maio de 2015. Após ficarmos 5 horas dentro do pátio, junto com outros sofredores passageiros desse falido, famigerado e irresponsável sistema de transporte marítimo, que dá certo em qualquer parte do mundo menos na Bahia, eis que uma voz impessoal, no microfone, sem a menor compostura nos pede que retornemos para os guichês, tentem pegar os nossos dinheiros e saiam pois a TRAVESSIA FOI ENCERRADA. Pasmei.
Daí para um tumulto generalizado, com tentativas de quebradeira, foi um pulo. E muita revolta pelo descalabro.
EM TEMPO: era noite, estávamos a mais de 5 horas ali, com fome, chateados. Precisei usar o "mictório" e tive medo. Não do banheiro que estava até um pouco digno mas do abandono total, escuridão, matagal. E....chovia torrencialmente.
Sem o menor pedido de desculpas ou até mesmo, uma dignidade de ter nos avisado e nos falado a verdade, apenas o boato do mau tempo, uma mentira pois apesar das chuvas e ventanias, aquilo ali não era impedimento pois já fiz travessias do comandante pegar água com o caneco, de tanto adernar. Se fosse ao menos pela ventania, uma explocação pela preocupação com nossas vidas, eu até entenderia e aceitaria. O que mais marcou e me entristeceu ou melhor, me deixou furiosa, foi o DESCASO e AS MENTIRADAS PRÓPRIAS DESSE SISTEMA FAJUTO.
Apenas pontuando: no pátio tinham turistas, idosos, crianças, grávidas e dois recém-nascidos. E os soteroPOBREtanos, esses meu Deus, os pedestres, estavam engaiolados, como se fossem para uma câmara de gás, presos por gradis, aguardando o embarque não houve. E esses, realmente, não tinham mais como retornar pois os ônibus já tinham partidos. E vi muitos deles, abrigados em pontos de ônibus, com os rostos trincados na solidão do abandono dos podres poderes públicos.
Depois eles confessaram que o atracadouro estava quebrado e como somente os ferries velhos atracam neste atracadouro lenhado, o Ivete, realmente, por ser um catamaran, não deve ser colocado em uso em tempos com ventos. Eu sei isso mas eles não sabem. TADINHOS.
MEU PARALELO:
Diante desse quadro, precisando retornar a Salvador e sem opção, voltamos para o vilarejo. O tempo fechado, muita chuva, ventos e escuridão. A estrada que liga a ilha a Salinas, toda detonada pelo Estaleiro que fechou e abandonou tudo à deriva e o medo tentando nos comandar. Mas não tinhamos opção. Ou seja, a única opção era voltarmos para o vilarejo e dormir para no outro dia pegar a BR 101 e tentar chegar em Salvador. Os 14 km que nos separava do Terminal Bom Despacho a Salvador, se transformou em 250 km atravessando tres BRs.
Então, ansiosos, apreensivos, meio assustados, pedimos a Deus o Guiamento e fomos com medo e tudo. E foi uma viagem tranquila, mesmo a estrada detonada.
Os minutos foram longos. Daí avistamos a entrada do vilarejo.
MEU DEUS. Agora eu me percebo pq eu senti uma paz me invadir naquele instante.
A entrada de Cações parecia Meu Senhor Jesus com os SEUS BRAÇOS ABERTOS, a nos receber. Era como ELE nos dissesse;. "Vem, meus filhos, Está tudo bem. Vocês estão seguros".
O vilarejo adormecia sob as fortes chuvas e ventos. Uma casa ou outra exibia uma luz fraca e chegamos. Saltamos correndo, as minhas queridas ANJAS, Mira e Velha, nos aguardava para nos entregar as chaves de nossa casinha acollhedora. E o resto foi somente alívio e alegria.
COMO CIDADÃ, FALEI AO VIVO NO PROGRAMA "TURISMO" DE HELÔ, NA METRO1.
FOTOS: o pátio do ferry-bronca e o amanhecer do sábado no vilarejo, encharcado de deliciosa chuva.

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