A vantagem da leitura é que ela se impregna na nossa alma, como se fosse um carimbo e vez ou outra, um aprendizado aqui, outro acolá e montamos a nossa sabedoria, misturando com cultura, vivências, experiências, enfim.
Este post fará um paralelo entre o nascimento da princesinha, o livro a Boa Terra e as parideiras que eu já conheço no decorrer da minha vida.
Falarei sobre a mulher e o parir.
Não vou me alongar e nem pontuar o que é melhor para a mulher. O parto normal? Nem sempre é normal e nem sempre é o melhor. A cesárea? Bem, apesar de ser uma cirurgia e salvar vidas, a escolha pelo método pode ser também uma experiência gratificante, ou não.
Vou falar aqui do parto e da mulher parida.
Como o mundo voltou seus olhos para uma certa princesinha que acabou de nascer e mãe da princesa, eu me impressionei mais pela forma que a criatura apareceu, neste parto e no primeiro, assim que teve seus rebentos.
Ou seja, mal acabou de parir, deve ter se levantado, vestido a calçola, a roupa, pegou seu rebento e sai, descendo escadas, sorrindo e acenando.
"a personagem do livro A Boa Terra, de Pearl Burke, é uma mulher chinesa, do século passado. Ela trabalha na terra. Sofre preconceito, machismo. É agredida mas quando engravida, todos a deixam em paz. E pari sozinha também pois ela não permite que o marido a veja neste "estado".
Em um dos partos descritos, ela está lavrando a terra, junto ao marido, quando sente as dores. Larga a enxada, sai cambaleando, entra na cabana que é sua casa e poucas horas depois, volta. Barriga mucha, rosto vincado, pega a enxada e continua a capinar a terra. O marido a observa e com um sorriso pergunta se é macho ou fêmea"
Pearl Burke viveu na China apesar de americana e escreveu este romance baseado em suas vivências na China.
E eu me lembrei dessa personagem ao ver ontem a mãe da princesinha, mal pariu, se portar como se nada tivesse acontecido. Que mensagem ela quer passar? Mulher maravilha? Yes, we can? Parir e arrotar é a mesma coisa? bem...
Aí me vieram à mente, as inúmerasss parideiras, as heróinas do vilarejo que eu tenho casa e seus arredores e as histórias passadas para mim, das avós, bisas, tias, mãe, enfim. E a palavra mágica foi
RESGUARDO. Parir é tempo de resguardo, minha gente.
Tempo de se resguardar, de se proteger, de se recolher, seja ele o parto que pariu.
Eu adoro ouvir os relatos delas especialmente o depois.
No vilarejo, antigamente, se colocava um lençol embaixo do telhado, como se fosse um forro, protegendo a cama da parturiente de ciscos, insetos, respingos da chuva, goteiras e ventania.
Elas eram respeitadas em seu momento. Era tempo de repouso. Nada de pés descalços, lavar cabelo na água fria e...e....subir ou descer escadas. JAMAIS. E o melhor?
O escaldado de galinha de terra ou caipira, as canjas, os mingaus de milho, tapioca, para o leite "descer". O mingau de café para fortificar. E elas seguiram suas vidas, a maioria saudável. No vilarejo não conheço nenhum caso de males maligno do trato genital, salvo as rupturas do períneo e as vezes a descida do colo uterino devido aos partos mal elaborados. Fora disso, saudabilíssimas e certamente, condenando as duas; a mãe da princesa e a personagem do livro.
PALMAS PARA AS MULHERES PARIDEIRAS DOS TEMPOS DOS ANTIGAMENTE.
Fora disso, sou mais minhas cesas com meus resguardos.
Jussiara Hora Melo Escritora e blogueira #resenhasdaJussiara Instagram: @livroseescritasbyjussiara Facebook: Jussiara Hora Melo Escritora publicada na Amazon, formato e-book/kindle. Escritora de HC fanfiction publicada no thehighchaparral.com. Participo de alguns clubes de leituras. Amante de um bom livro, filmes, tv séries.
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